
Estamos em locais
Em tempos desiguais
Em espaços bem definidos
Em ermos profundos, sofridos
São barras que nos afastam
Horas que nos impedem
Lembranças que a memória abraçam
Instintos que nos suspendem
E olhamos, olhamos um tempo passado
Ambicionamos um novo futuro
Que vivido não é voltado
E erguido é mais um muro
Sentimos na nossa vontade
Uma sede sonhadora
Morta pela incerteza
Da certeza promissora
Então em movimento
Achando o atrás perdido
É queimado outro momento
Mais um tempo é ardido
Ficamos assim,
Querendo outra emoção
Desejando outro fim
Amando outra paixão
Contentes ou descontentes
Corajosos ou destemidos
Sofridos são os tormentos
Amados são os feridos
Vivemos, vivemos descontentes
E por vezes sufocados
Pelas opções ausentes
Escolhidas em maus bocados
Mas continuamos
Contentes ou descontentes
Em olhares efervescentes
Nossos passos contemplamos
Crendo ou não crendo
Definidos ou indefinidos
Vivemos ou vamos vivendo
Numa vida comprimidos
